15 janeiro 2006

Luís Monteiro da Cunha

Preciso do Sol e da Maresia...


As bátegas não me dão descanso. Chamam-me da janela, mas disfarço.
As nuvens escurecem o firmamento, transmitem a nostalgia do tempo próprio da estação que decorre. Sei que a chuva é fundamental, mas...
O meu bem-estar físico e emocional, sofre com isso.
A minha sensibilidade é afectada pela luz que recebo diariamente. E não vale a pena acender todas as lâmpadas da casa, colocar uma comédia no dvd, ou outro artefacto que me alegre. Esse bem-estar é sempre passageiro e termina sempre que carrego no OFF.
É mesmo da luz do sol que necessito.
Terei eu, algum processador de foto-sintese como as plantas, as quais crescem e florescem conforme o estado de tempo e das horas de luz solar que recebem diariamente? Também estas são muitas vezes enganadas pela soma dessa conjugação de factores e por isso florescem demasiado cedo, condenando-se ao fracasso precoce, apesar de tentarem mesmo assim frutificar e concluir a sua função gravada no seu código genético: continuar o ciclo da vida, criando a sua descendência. Vã tentativa esta, os frutos acabam por mirrar, por causa do frio, que acaba por regressar, ou queimados pelas geadas que ainda não nos visitaram.
Vã e inglória luta esta.
A mãe natureza adulterou o normal ciclo de germinação das coisas e esqueceu-se de avisar as partes interessadas! Que são todas as coisas vivas à face da terra. Porque das coisas vivas que existem sob o caudal líquido... ainda não existem dados suficientes que demonstrem se também estas sofrem destes efeitos precoces e nefastos.

Nesta nostalgia... continuo a pensar em ti mãe natureza.
Porque tu estás tão diferente! Qual a causa dessa mudança? Fará, essa mudança, parte da tua evolução... e nós seres vivos e pensantes, continuamos estagnados e tão alheados de ti que não actualizamos o nosso código genético, para te conseguir acompanhar? Onde fazer a actualização? De onde poderei fazer a actualização do meu sistema genético, se nada nem ninguém fala no assunto, nem tu, Mãe, dás qualquer pista!...
Continuam todos, como eu, a gozar a seu bel-prazer o facto de estarmos vivos, apesar da decadência oculta... ser já visível a olho nu e nada fazemos para combater a situação.

Pensando maduramente...
Chego a uma simples conclusão.
Nesta divagação, e por inércia, dado que continuo sentado, não aproveito para te melhorar o código. Estou continuamente a agredir-te e nada faço. Banalizo actos que te são tão prejudiciais… como o facto de me fazer transportar no automóvel até ao parque mais próximo para fazer o percurso de manutenção sabático ou dominical, apenas para me mostrar aos outros, tentando com isto demonstrar que sou amigo da Mãe e cuido do meu corpo, mas… tu sabes bem que te desprezo na minha vida, na qual apenas valorizo o conforto pessoal e dos meus, nem que para isso tenha de te assassinar diariamente, apesar de te amar esporadicamente e deliciar-me na beleza de tudo que nos ofereces.

Afinal, cheguei a mais uma conclusão:
Será que se conseguirmos pensar um pouco mais em ti e menos apenas em nós e no nosso bem-estar, conseguiremos reverter a tua saúde, (e a nossa)... e ao mesmo tempo actualizar o nosso valioso código, que provavelmente actualizar-se-á como por simpatia e porque interagimos contigo e nos fazes essa dádiva?
Será esta uma solução?... Ou a única?
Até já, Mãe... Beijinho!…

© Guilherme Faria 2006-01-15


Posted by: lmc

19 Comentários:

Às 15/1/06 15:53 , Blogger Luís Monteiro da Cunha disse...

Para a mãe suprema de todas as coisas visiveis, numa manhã nostálgica e chuvosa...

Boa semana para todos

 
Às 15/1/06 16:28 , Anonymous Anónimo disse...

Olá Bufagato, depois de ler com cuidado o teu texto que tanto mas tanto me diz, vou para o meu "Jardim Suspenso" de botas e impermeável apanhar chuva! O Sol, brilha para além das nuvens, por isso é dia. Não se se ainda vamos a tempo, mas temos de prosseguir nessa cruzada, que condicionará a vida de nossa Mãe Natureza, e da nossa espécie. Beijo

 
Às 15/1/06 16:32 , Blogger lena disse...

só consigo dizer que te compreendo,
não consigo estar sem sentir o mar por perto e esse sol que quero todos os dias quando acordo.
tanta falta me faz o cheiro a maresia, mesmo em dias de chuva caminho pela praia, cheia de frio e completamente molhada, ou sento-me numa rocha para o sentir perto de mim

beijinhos

lena

 
Às 15/1/06 18:25 , Blogger GNM disse...

Está muito bonito.
Identifiquei-me bastante com as tuas palavras...

Fica bem...

 
Às 15/1/06 19:46 , Blogger Cristina disse...

Olá bufagato,
Acho que todos nós nos sentimos assim no inverno, eu sinto!
Estou mortinha que chegue o verão, a luz do sol faz-nos tão bem...
Até lá temos mesmo que viver com o que a mae natureza nos ofereçe...
Tem uma linda semana
:)
beijinhuu

 
Às 15/1/06 20:11 , Blogger menina graça disse...

Um texto muito profundo que deixa perguntas que todos nos devíamos fazer.
Aqui não dá para brincar.
Beijos

 
Às 15/1/06 20:46 , Blogger Dad disse...

Revejo-me totalmente no teu texto! Eu, pecadora me confesso. Sei que a chuva, o frio, o vento, o Inverno faz muita falta à nossa Mãe Terra, mas suspiro pelo Verão...com esta praia à minha frente, agora vazia até das gaivotas...
Decididamente sou, física e emocialmente, uma mulher de Verão que se enrosca com o frio e fica nostálgica com a chuva...

 
Às 15/1/06 22:12 , Anonymous Anónimo disse...

Bufagato, adoro aquele miau branquinho que caminha sem cessar no canto do teu blogue.
É claro que este texto me tocou. Mas o sol de inverno é muito mais gostoso que o do verão e então o cheiro a maresia...é bom em qualquer época, porque é único.

Beijinhos

 
Às 16/1/06 14:59 , Anonymous Anónimo disse...

Um gato ecológico. Bravo. Gostei mto do texto. Abraços

 
Às 16/1/06 17:24 , Blogger A .Carlos disse...

Olá Amigo Bufagato,
E eu que hoje ao acordar, e ao abrir a janela,não via um palmo à frente do nariz, devido ao intenso nevoeiro, concordo inteiramente contigo.
Gosto de Sol, de calor e do cheiro a maresia,acho que não conseguiria viver longe do mar,mas enfim...estamos no inverno, e é a altura dos frios e chuvas, o verão está quase a chegar...já não falta tudo... ;)
Um abraço e uma boa semana para ti

 
Às 16/1/06 18:54 , Blogger margusta disse...

Olá amigo Luis,
...adorei ler-te nesta quase homenagem á mãe natureza.
Focas-te um assunto muito importante , gostamos tanto da natureza e todos os dias contribuimos para a sua destruição, maltratando-a nos nossos pequenos actos diários,deste o exemplo de como simples facto de metermos a chave na ignição do carro já é um atentado para o meio ambiente.
A destruição da camada do ozono de que tanto se fala hoje é uma das grandes ameaças ao nosso planeta.
De resto consegui sentir toda essa nostalgia de uma tarde de Domingo chuvosa...imaginei-te á janela a ver a chuva lá fora ...a tua inquietude...
Como tu senti a falta do sol...dos seus raios de luz, a maresia essa vem sempre até mim...mesmo num dia chuvoso.

Beijinhos amigo e um bom ínicio de semana.

 
Às 16/1/06 19:39 , Blogger José Gomes disse...

Olá Luís,
Arranjaste-me a bonita!!!
Ler as coisas que tens "postadas". Mas como são gostosas, não tem custado nada.
Tens de aparecer lá por Vermoim ou/e por S. Mamede Infesta.
Também a Maria Mamede gostou dos teus blogs.
Eu ainda tenho a aprender muito contigo.
Um abração.

 
Às 16/1/06 20:20 , Blogger Su disse...

gostei de ler...muito...
tb necessito do sol e maresia
jocas maradas de mar

 
Às 16/1/06 22:36 , Blogger soslayo disse...

Bufagato, li o teu texto e vejo nele tudo aquilo que o homem-natureza faz à mãe-natureza. E estamos a sofrer as consequências. Também sinto-me melhor no Verão que no Inverno. Não fui feito para o frio e por cá onde estou, também está muito frio e isto arraza-me. Que fazer senão esperar pelo o Sol radioso do Verão mas atenção, Verão sem aquele terror dos incêndios florestais. É já altura de se pensar nisso. Um abraço.

 
Às 17/1/06 01:34 , Blogger Pink disse...

Ao ler o título do post pensei: "somos dois!" Não adivinhava, porém, a profundidade do texto que me esperava. Posso dizer-te que me revejo em muito do que li e concordo que, muitas vezes, não respeitamos a Mãe natureza e o nosso planeta, nem mesmo o nosso bioritmo natural ... mesmo sem o fazermos deliberadamente! Obrigada por nos dares a ler um texto tão bem escrito, profundo e ... que termina de um modo ternurento, na esperança de alguma mudança positiva - "Até já, Mãe... Beijinho!… "

Para ti, uma boa semana e um beijo.

 
Às 17/1/06 10:50 , Blogger Carlota disse...

Nem mesmo na época do cacimbo (Inverno aqui) consigo sentir essa nostalgia, até porque aqui só há chuva de Verão. É sem dúvida uma mais valia para quem se deprime durante o Inverno rigoroso da Europa. Mas confesso que às vezes sinto umas saudades desses dias...

 
Às 17/1/06 13:48 , Blogger Claudia Perotti disse...

Vivo longe do mar, mas não vivo sem ele. Mesmo que seja apenas na mente tenho que ter sua imagem, seu cheiro...

Boa semana!
Beijos

 
Às 17/1/06 17:52 , Blogger António disse...

Não, não e não!
Não me digas mal do frio!
Adoro o frio, estar na cama bem agasalhado pelos cobertores e mantas e mais não sei quê (eh eh).
Adoro o Inverno!
A chuva, o vento, tudo isso...desde que abrigado, claro!
E detesto o calor!
Com altas temperaturas, pode tirar-se a roupa toda mas...já não convém tirar a pele!
Com temperauras baixas, há sempre mais um agasalho que podemos suportar e nos conforta.

Obrigado pela visita.
Vai aparecendo que a minha clientela anda muito arredia.

Abraço

 
Às 19/1/06 23:21 , Blogger S disse...

É Luis, tenho saudades também do solinho, do mar, dos passeios ao final de dia.
Mas sabes, também gosto do inverno (apesar de agora já estar farta): gosto de andar à chuva, chapinhar nas poças com umas botas bem grossas, apanhar o vento na cara, sentar-me à lareira num dia de inverno a ouvir a chuva lá fora.

Claro, tens toda a razão na tua preocupação com as alterações climáticas... notam-se cada vez mais as consequências da acção humana, da nefasta acção que exercemos no nosso ambiente.

Bonita homenagem à Mãe... natureza

Beijinho grande,
S

 

Publicar um comentário

Subscrever Enviar feedback [Atom]

<< Página inicial