14 outubro 2007

Luís Monteiro da Cunha

Outono

apanha da fruta

amanhar a terra



o verde perene


a melancolia dos castanhos


...




O Outono das castanhas

do vinho doce e da broa

das gargalhadas na desfolhada

o beijo da boa moça trigueira

depois da espiga brejeira

a musica sempre a musica

dos sabores tradicionais

mais uma pinga e uma dança

uma chalaça e a festança

contagia novos e velhos

riem sem poder mais




...


fotos de: lmc2007



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09 outubro 2007

Luís Monteiro da Cunha

Portas da vida

portas cerradas

foto: Lmc2007



Por cada porta que se fecha,
existem duas que se abrem.

Nunca desistas de as procurar.



lmc

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06 agosto 2007

Luís Monteiro da Cunha

pelo mondego

foto: lmc2007







Também aqui à porta do amigo Xavier Zarco
deambulei, sonhei e perdi-me!

Coimbra terra de encantos
das batinas e das violas
das roliças guitarras
da rosa e seus cantos
a todos nos consolas
barcos sem amarras

lmc



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03 julho 2007

Luís Monteiro da Cunha

Férias... Upalalá!




fotos: lmc/2007




Até que enfim, custou mas chegaram as férias!


Vou descansar, recarregar baterias, sorver novos ares, apreender novos conceitos e vivências.

Conto desfrutar de algumas praias (apesar deste tempo inusitado) e de ares calmos da natureza.

Como sempre, não planeio as férias ao milímetro.
Gosto de vogar ao sabor dos ventos e marés. Assim, saboreia-se melhor o prazer da descoberta, nunca se sabe o que se vai encontra ao virar de cada esquina, por detrás de cada monte ou montanha, ou depois de cada floresta. Um novo rosto; outros sorrisos; outras ideologias; outros festejos do meu povo laborioso e afável.

O mais interessante, neste viajar sem correntes pré-determinadas, é o facto de conseguir desfrutar do que não temos no quotidiano opressor: Liberdade!
Será também, é sempre, o regresso às origens do animal que habita em mim, que apesar de necessitar de convívio salutar, precisa também destes momentos incógnitos, sem peias que o castrem.

Sejam livres, na medida do possível, porque eu... estou por cá, neste Portugal tão pequenino, mas enorme na descoberta. Quem sabe, se me cruzarei com alguns de vós!

Entretanto, até ao próximo dia nove (feriado do concelho da Maia), decorrem as festividades da cidade da Maia com várias actividades e iniciativas folclóricas e culturais. Se puderem, passem por estes dias ou noites pela cidade, não se arrependem, pois todos os dias existem várias animações, tanto culturais, como a feira do livro e a feira do artesanato; assim como musicais e visuais... não percam!


Até já...




aquele abraço


luis






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23 junho 2007

Luís Monteiro da Cunha

Festa de finalistas

foto: lmc/2007
Foi um dia diferente na escolinha do Sérgio.
Foi a festa dos alunos finalistas, os que transitam
para outros vôos escolares.
A escolinha estava engalanada, a preceito,
pois claro, que a ocasião era solene.
As educadoras organizaram uma peça de teatro infantil,
canções, muita musica e ainda mais animação.
Uma antecipação do S. João, com folguedos
e muito convívio entre todos, miúdos e graúdos.
Foi lindo, ver o serginho e os outros, a receberem
a cartola, a pasta e a bengala...


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20 junho 2007

Luís Monteiro da Cunha

Enormes...


foto: lmc/2007



Enormes…

As costas eram margens de regatos. Molhadas é o termo correcto, se bem que o líquido que destas escorria, não fosse água, mas suor. Transpiração do esforço que no momento, a transfigurava e obrigava a soltar urros longos, como se fosse um qualquer animal a estrebuchar pela vida.
Pensando bem, tratava-se de vida. O esforço da sua vida, geradora de outra vida que estava prestes a exultar.
Mas o safadinho, pois sabia ser um menino, não aceitava a sua expulsão e quedava-se no leito líquido, retardando ao máximo a sua apresentação ao novo mundo e consequentemente, obrigando-a cada vez mais, a um esforço sobre-humano.
O médico de serviço, impaciente, disse-lhe para fazer uma nova tentativa com toda a sua força e coragem, senão, teriam de fazer uma cesariana. Que é isso? Cesariana nunca, ela não queria. Tivera já três filhos e todos saíram pelo mesmo sítio. Hoje, são todos fortes, felizes e sadios. Este, teria de nascer do mesmo jeito, desse por onde desse.
Prepara-se para o esforço derradeiro. Enche os pulmões, retesa os músculos faciais e os braços com as mãos fechadas, enche-se também de toda a vontade resoluta. Pensa no bebé, e mentalmente fala-lhe: «vais sair, ajuda-me, Deus! Sai meu filho! Não me obrigues a sofrer demais!» Soltou-se, parecendo relaxar. Repentinamente, abriu até ao limite das suas forças, todo o quadril e pernas e deixou que se expelisse de si, todo o ar, todo o esforço de músculos, carne, sangue e até, toda a sua alma jorrou nas mãos da enfermeira atenta.

O mundo parou para si e tomou-a de uma paz liminar. Deixara de sentir dor, aliás deixara de sentir qualquer coisa. Toldaram-se-lhe os olhos, os ouvidos, os sentidos. O mundo desapareceu momentaneamente e a paz ou dormência tomou conta do seu dorido e ainda convulso corpo. Que serenidade e paz agora sentia. Apesar dos olhos fechados, via no ar pequenas luzes a bailar, como se o quarto estivesse inundado de pirilampos.
- É um menino! Parabéns! – Alguém disse.
Abriu os olhos e viu o médico a limpar o bebé ainda coberto de algum sangue e líquido amniótico, parecia coberto de pó de talco. Era grande, pareceu-lhe até enorme, reconhecendo no tamanho a razão da dificuldade do parto.
Seus seios tumefactos, imediatamente jorraram gotículas de leite amarelo queimado. Pareciam ávidos de serem sugados por aquela boca pequenina e rosada, que acabara de emitir os primeiros sons.
Enquanto o amamentava pela primeira vez, deitado no seu peito, reparou nos dedinhos perfeitos que lhe acariciavam a mama; o seu cabelinho farto e negro que tanto a enjoara durante a gravidez; aqueles braços e grossas pernas ainda amarrotadas.
Como era lindo o seu menino; chorou copiosa e amargamente enquanto o admirava. Sabia que apenas tinha três dias para ficar junto dele. Depois, nunca mais seria a sua mãe. Era esse o negócio previamente acordado: tinha recebido uma quantia avultada para o trazer à vida no seu ventre e teria de o entregar ao pai e futura mãe, logo após a alta hospitalar da criança. Uma dor lancinante a possuiu nesse momento, como se todo o seu corpo rejeitasse a separação.
Haverá dinheiro que pague o amor? Mas existe a honra. Ela fora paga e recebera, para o trazer à vida, mas… que vida?


© Luís Monteiro da Cunha

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17 maio 2007

Luís Monteiro da Cunha

Anacrónico dos sentidos

foto: © Lmc/2007




Anacrónico dos sentidos
© Luís Monteiro da Cunha


Experimenta fabricar um dia de ausências:
nem som ou visão. Um dia: puro,
sem a mácula de ruído, de imagens.

Procura o isolamento profundo.
Lentamente,
inexoravelmente, és invadido por leve torpor
que docemente embriaga o plexo,
extraindo-se do nexo casual
e o vazio.
Uma acre sensação de abandono;
de perda; de ausência;
o fel do corpo sobe à garganta,
sentes a matéria a desfazer-se,
ínfima, retalhada,
a voar, milhares de estrelas brilhantes, e
tu vogas, perdido da matéria, do som, do olhar,
como se o peso do conhecido te contraísse o peito,
que sofre avassalador
a implosão da razão. uma dor lenta,
infantil, acomete os teus olhos
uma vontade dos seios e sorriso mater.

Regride ao ventre que te gerou, e choras,
e espantas-te, e renegas,
e queres socar o universo que gravita serenamente na poeira cósmica de quanto o teu consciente consegue tomar como conhecimento.
Do que sentes e vês sem ver.
Apenas sentes imagens
que fulgurantes, perfuram os sentidos meteóricos.

És acometido pelo impulso
primário de perda
do in-conhecimento humano.

A nova sensação é voraz e dolorosa.

Resiste, resiste!
Não bulas, nem te atrevas a retesar um só músculo.
Aceita-te como te vês, assim és.
Acolhe o esgar dos lábios que extrais do teu ser,
como a força que mantém a imobilidade.
inerte o gesto e o corpo, que vibra louco,
negando-se por desanexação do real/irreal.

Agora, encontras-te encontrado,
acolhe a tua nova, sempre presente, fragilidade.
Devora o medo, lento, que te invade.
de imediato se esvai o escuro claro que se faz.
a luz da utopia é a concepção de ideias generalizadas.
o eco que apenas adivinhas nos farrapos de imagens
que trespassam libidinosamente a fragilidade da coragem.

Começas por reconhecer o ínfimo sentimento de paz que te absorve, anulando inúteis temores, inúteis gritos, inútil reconhecimento.
Abandona-te nos braços da teia microscópica
que embala a sensação de finidade inútil.
Reconhece, sem que te reconheças, o vazio da existência magma onde flutuas.
Sabes agora que a dor – do que conheces como vida – é a dor vazia
inexpressiva de conteúdo, supérfluo viver/sofrer, ignota ignorância do desnecessário preciso.

Apenas após conhecer o silêncio, a in-visão,
quando escutas – inundado - o troar forte
e cadenciado da máquina universal, conseguirás escutar,
ver e compreender, os maravilhosos ínfimos sons,
que te envolvem, penetram e sustêm a matéria.

Saberás então, que o mundo és tu, - etéreo -
vive em ti e de ti, engrenagem fundamental
da anacrónica função que resiste, apesar
de cronologicamente, seres um ser,
esquecido, que persiste no gesto do suicídio.





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25 abril 2007

Luís Monteiro da Cunha

Manhã de Abril dos dias novos






LIBERDADE!
-----IGUALDADE!
---------FRATERNIDADE!

Onde? Onde?
Aonde? Aqui não!
Então, onde?
Ali?
Acolá… Não!

Esqueceram onde.
Morreu!
Onde,
está essa onda de revolução?

A razão é livre! O Povo
Não!
Nunca! Jamais!
O Povo
Que sonhe…
por mais
sempre existirá onde.


Alguém viu a razão do aparato infantil
Que se esboça na mão da criança a sorrir:
Uma arma. o giz numa mão a outra na testa.
Uma parede. nua na praça. é festa e os carros
Armados. Silenciados. o gesto impúbere ostensório
Uma qualquer promessa. de manhã. de Abril.


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28 novembro 2006

Luís Monteiro da Cunha

Direitos reservados - Luís Monteiro da Cunha foto: Bufagato/2006


Até que enfim, uma ideia luminosa, na escuridão a que tem sido votada a cultura a nivel municipal:


Espero que a moda pegue, apesar de estar convicto que esta nunca chegará à cidade do Porto. Pelo menos enquanto o rio correr por ali.
Quanto à cidade da Maia, até pode ser que o Bragança Fernandes disponibilize uma máquina desse tipo. Afinal, já tem na porta de entrada da edilidade, o infocide numa máquina que parece um multibanco.

Parabéns, aos cidadãos da Batalha:


Mais informação: in JN

Boa semana e leituras
lmc

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