16 agosto 2006

Luís Monteiro da Cunha

A André Bordalo

A André Bordalo, assassinado no Rio de Janeiro


Enormes blocos de cimento
Cortados pelo vento
Ladeiam o areal
como quadros, pincelados de gente
e gente
ali reside, copula e
veraneia, contente.

Em Copacabana, morre
o turista de Portugal, na praia,
estudante, engenheiro
aeroespacial,
prostra-se de horror a areia
ferida no branco do lençol


Continua serena, a manhã
como serena é a sombra,
oculta
no vício e desdém
mas prenhe na determinação
tumula
da mochila e do haver
de alguém

Crava-se a morte na faca
que a transporta ao pulmão

Como é cara a vida
e tão barata
que se desprende no apunhalar
da mão

Contínua, serena, amanhã...

4 Comentários:

Às 16/8/06 10:29 , Blogger Divagando disse...

Uma simples mochila às costas de tantos sonhos por realizar, e depois mais nada, últimas férias...

 
Às 16/8/06 10:34 , Blogger Divagando disse...

esqueci-me de assinar: gaivotadaria :) que esteve aqui e pos a leitura em dia, divagando é o blogger que não tem ninguem em casa

 
Às 16/8/06 11:36 , Blogger Alex disse...

A facilidade com que se perde a vida. A facilidade com que se tira uma vida. Que mundo é este Luís? Pensas nisso? Como vai ser daqui por uns anos?

Será que a terra pára de girar entretanto?

Já não aguento ouvir e ler as notícias.

As tuas palavras, como sempre, bem certeiras e bonitas.

Um beijo meu Amigo

 
Às 17/8/06 23:34 , Anonymous Anónimo disse...

muito triste :((

 

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