24 fevereiro 2007

Luís Monteiro da Cunha

Fa(ro)lando sonhos e outras cogitações

Farol


foto: arquivo de lmc/2007






No passo indeciso da noite,
escreve o destino
do pó que levanta.
Invento sonhos,
paixões, demagogias:
- até quando
- o
caminho se ilumina.

O farol dos sábios
tem novos olhos.
Tudo, são
invenções:


Nada,
predomina!


Luís Monteiro da Cunha

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27 outubro 2006

Luís Monteiro da Cunha

Puro deslumbramento

Palhota

foto: Bufagato/2006




Gatinhando, gatinhando…
Alcançou a grande janela e a enorme cortina.
Arranhou-a e lentamente, puxando-a, subiu
por ela acima
até alcançar o peitoril, onde se apoiou, e viu...

Belos pássaros, de asas brancas que dançavam
e a espaços, alegres cantavam.
Fofas nuvens que dormitavam, mesmo por cima
do laranjal da quinta.
O lavrador trabalha no campo, amarrando molhos
de palha, extravagantes.
Uma borboleta deambulava na vidraça e queria
por instantes, entrar, para descansar na saleta.

A tudo, o menino batia palmas de alegria, e mais
Batia, feliz, quando a borboleta, fugia da sombra
da sua infantil careta de petiz.
Deslumbrado e cansado, adormeceu no peitoril,
embalado, contudo, nas asas do anjo que o ninava,
e protegia deste mundo vil, no sonho profundo.


Luís Monteiro da Cunha

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